Investidores lendários: Como o FOMO e os vieses provocam erros dispendiosos
De Soros a Buffett, grandes perdas revelam como o FOMO, os vieses e as avaliações incorretas moldam falhas de mercado de grande destaque.

Por Priyanka Joshi · Vice-Presidente de Conteúdo e Marketing na Deriv
8 December 2025 · 3 min de leitura

Nos meus anos a trabalhar em jornalismo financeiro na área da psicologia de trading, descobri que a diferença entre um trader de retalho e uma lenda institucional não é a ausência de erros. É a magnitude.
Os novos traders perguntam-me frequentemente qual é o "segredo" para evitar perdas através de estratégias de gestão de risco. A minha resposta é que não há segredo — apenas história. Até os titãs das finanças — George Soros, Ray Dalio e Warren Buffett — violaram os seus próprios princípios e pagaram o preço com perdas na ordem dos nove dígitos.
A diferença? Eles documentaram os seus fracassos, analisaram as falhas sistémicas e reergueram-se.
Abaixo apresentamos uma análise editorial de três falhas históricas do mercado. Deixamos de lado o sensacionalismo para analisar a psicologia, alavancagem e os vieses que as causaram — para que você possa reconhecer os padrões no seu próprio portefólio.
Estudo de caso 1: A armadilha do momentum
O sujeito: George Soros & The Quantum Fund
O evento: A bolha das Ponto Com (1999–2000)
A perda: 3 mil milhões de USD
Logo após a sua lendária vitória da "Quarta-feira Negra" em 1992, na qual quebrou o Banco de Inglaterra de forma célebre, George Soros enfrentou um desafio diferente em 1999: a exuberância irracional da bolha da internet.
Soros identificou a bolha corretamente e de forma atempada. Ele instruiu a sua equipa a fazer short ao setor tecnológico, reconhecendo a "podridão" nas avaliações. Mas o mercado permaneceu irracional durante mais tempo do que Soros se manteve solvente. À medida que o Nasdaq continuava a subir, as suas posições curtas perdiam capital.
O erro: Movido pela pressão de apresentar resultados e pelo medo de ficar de fora (FOMO) à medida que os concorrentes registavam ganhos massivos, o Quantum Fund reverteu a sua posição. Abandonaram a sua tese e assumiram posições longas exatamente no pico do mercado em março de 2000.
Quando ocorreu o crash, o fundo estava excessivamente alavancado no lado errado do trade. O resultado foi uma destruição de 40% do capital — uma perda de 3 mil milhões de USD numa questão de meses.
A principal conclusão editorial: Soros admitiu mais tarde que a "expansão excessiva de crédito" alimentou a bolha, mas o erro do seu próprio fundo foi psicológico. Eles permitiram que a ação do preço (price action) se sobrepusesse à sua análise. A lição para o trader individual é clara: O desvio da tese é fatal. Se os seus dados dizem "short", mas você compra porque o gráfico está verde, já não está a fazer trading; está a jogar.
Estudo de caso 2: Viés de confirmação
O sujeito: Ray Dalio & Bridgewater
O evento: A previsão de "Depressão" (1981–1982)
A consequência: Quase insolvência
Em 1981, Ray Dalio ainda não era bilionário; era um gestor de 32 anos que dirigia a Bridgewater a partir de um apartamento em Nova Iorque. A sua análise dos ciclos de dívida levou-o a uma conclusão assustadora: os EUA encaminhavam-se para uma depressão ao estilo da década de 1930.
Dalio posicionou toda a empresa para este resultado. Fez short a ações, fez short a obrigações e apostou fortemente no crash das matérias-primas. Estava tão confiante que declarou publicamente esta previsão no programa Wall Street Week.
O erro: A Reserva Federal (Fed) mudou de rumo. O presidente Paul Volcker avançou com uma flexibilização, desencadeando um enorme bull run em ações e obrigações. Dalio, cego pela sua própria convicção, ignorou os dados em mudança. A Bridgewater perdeu quase tudo. Dalio teve de despedir os seus funcionários e pedir 4 000 USD emprestados ao pai apenas para pagar as contas.
A principal conclusão editorial: Dalio chama a este o seu momento "abismo". Ele percebeu que estar "certo" na teoria não importa se errarmos no timing. Ele reergueu a Bridgewater com base num novo princípio: Transparência Radical e apostas não correlacionadas (Paridade de Risco). Para o trader, a lição é a humildade. Uma única visão macroeconómica, por muito pesquisada que seja, nunca deve carregar 100% do seu risco.
Estudo de caso 3: A armadilha de valor
O sujeito: Warren Buffett & Berkshire Hathaway
O evento: A entrada na IBM (2011–2018)
A perda: ~2 mil milhões de USD
Warren Buffett construiu o seu império em "fossos" (moats) — empresas com vantagens competitivas inatacáveis. Em 2011, ele quebrou a sua própria regra de evitar ações tecnológicas para comprar 10 mil milhões de USD em ações da IBM.
Ele viu um gigante consolidado com um software que gera forte retenção e dividendos fiáveis. No entanto, não conseguiu prever a ameaça existencial da computação na nuvem (AWS e Azure), que já estava a corroer o modelo de negócios da IBM.
O erro: À medida que as ações da IBM vacilavam, Buffett fez o que sempre faz: reduziu o preço médio (averaged down). Manteve a posição durante anos, confiando nas métricas passadas da empresa em vez da sua realidade futura. Quando saiu da posição em 2018, o custo de oportunidade era massivo e a perda realizada situava-se em cerca de 2 mil milhões de USD.
A principal conclusão editorial: Buffett admitiu que estava "redondamente enganado". Ele confundiu uma ação "barata" com uma ação de "valor". Até mesmo o Oráculo de Omaha foi vítima da Falácia dos Custos Afundados — manter uma posição perdedora simplesmente porque já tinha investido tanto tempo e capital nela.
Reflexão final
O mercado é um nivelador. Não se importa com a sua reputação, com os seus ganhos passados ou com o seu património líquido. Apenas se importa com a sua disciplina no momento presente.
Se Soros, Dalio e Buffett conseguem interpretar mal a liquidez, a alavancagem e o valor, você também pode. O objetivo deste arquivo não é ridicularizar estes erros, mas sim estudá-los.
No trading, as suas propinas são pagas com perdas — mas é muito mais barato aprender com a conta de outra pessoa.